Andropausa e TRH
Contracepção
Desempenho Sexual
DSTs
Impotência
Menopausa e TRH
Menstruação
Orgasmo
Próstata
De acordo com o Population Reference Bureau o aumento da população mundial é atualmente de mais de 79 milhões de pessoas por ano, um número comparável à população da Alemanha reunificada e superior à população do Reino Unido ou da França.

Cada mês a população mundial aumenta em cerca de 6,6 milhões de pessoas, enquanto o aumento semanal alcança 1,5 milhões.  Quase 99% do aumento natural da população mundial ocorre nos países menos desenvolvidos.  Esses números, apesar de alarmantes, já foram mais preocupantes há uma década atrás quando o acréscimo anual estava em torno de 87 milhões (1990).

Em 1979 a população mundial alcançou a marca de 6 bilhões de pessoas, o último bilhão tendo sido acrescentado há apenas doze anos depois de ter atingido 5 bilhões.  Se a última taxa de crescimento registrada na década de 90 fosse mantida na próxima década, a população do planeta alcançaria 7 bilhões daqui a sete anos, em torno do ano 2.011 ou um pouco antes.  Graças, entretanto, ao controle da natalidade na China e em outros países, particularmente na Índia cuja população já ultrapassa um bilhão de habitantes e que junto com a China contribue para 40% do total mundial, este número só seja alcançado alguns anos mais tarde.  Esse intervalo maior assegurou aos governos dos países em desenvolvimento mais tempo para atender as necessidades básicas de mais um bilhão de pessoas, que deverão nascer na próxima década.

No Brasil, país cujo território tem dimensões continentais, a população, que atingiu minguados 12 milhões de habitantes em 1900, quatrocentos anos depois do descobrimento, duplicou a população em apenas trinta anos graças à vacinação obrigatória e ao saneamento das grandes cidades.  Em 1970 os brasileiros já se orgulhavam de terem alcançado os 90 milhões, uma população que representava o dobro da população da França.  Nos últimos trinta anos, a população brasileira, que em 1970 já revelava uma marcante divisão entre pobres e ricos e onde os pobres constituíam a maioria, voltou a duplicar, atingindo cerca de 180 milhões.  Enquanto os ricos planejavam suas famílias para terem um mínimo de descendentes com quem dividir suas posses, os pobres continuavam a formar famílias numerosas, contribuindo para o aumento explosivo do número dos despossuídos que incluem os sem-terra, os sem-casa, os sem-roupa, os sem-sapatos, os sem-comida, os sem-emprego, os sem-saúde e os sem-educação.  Esses desprovidos de tudo só tem mesmo é filho.  Um jovem de 15 anos, analfabeto, e até um condenado a 100 anos de prisão, que não tem liberdade de sair sequer do presídio, conserva o direito de fazer quantos filhos quiser.  O número de pessoas que não tem o que comer é tão grande que o combate à fome é o principal alvo do atual governo do Brasil, que alimenta com a merenda escolar mais de trinta milhões de crianças brasileiras.

No passado, o rápido crescimento das populações ocorria quando havia fartura, más era limitado e freqüentemente revertido pelas guerras e pelas epidemias, as primeiras inspiradas pelas disputas religiosas ou ideológicas e as últimas pelas alterações ecológicas que favoreciam a proliferação das doenças nos grandes aglomerados urbanos.  Os progressos da ciência e particularmente da medicina contribuíram para diminuir a mortalidade dos humanos, graças ao desenvolvimento das vacinas e antibióticos e ao aumento da produtividade da agricultura para alimentar as multidões que hoje habitam as grandes cidades do planeta.  Apesar dos progressos, a previsão Maltusiana de que o crescimento na produção de alimentos não poderia atender a rapidez do crescimento populacional ganha força frente ao aumento do número de famintos no mundo em desenvolvimento, onde o crescimento da população continua a ultrapassar a capacidade de produzir alimentos, obrigando os países pobres a fazer empréstimos impagáveis para comprar comida para suas crianças geradas irresponsavelmente na ausência de programas eficientes de planejamento familiar.

Nos anos 80, quando foram feitas as estimativas de crescimento da população mundial para o próximo milênio, não se previa mais nenhuma epidemia que viesse afetar o crescimento das populações dos países pobres, e muito menos guerras como as grandes guerras do passado que acarretavam a morte de milhões de indivíduos na flor da idade.  No início dos anos 90, menos de uma década depois da descoberta do vírus da AIDS, um vírus completamente diferente de tudo que os infectologistas conheciam, alguns epidemiologistas mais pessimistas temiam ser esta a pior epidemia enfrentada pela humanidade.  O vírus era transmitido sexualmente e fulminava suas vítimas em curto espaço de tempo, neutralizando o sistema imunológico.  Os mais otimistas achavam, ao contrário, que a epidemia se limitaria aos homossexuais e aos usuários de drogas, os dois maiores grupos de risco reconhecidos na época, restringindo-se portanto predominantemente a indivíduos do sexo masculino cuja exclusão jamais afetaria o crescimento da população.  O otimismo, entretanto, logo desapareceria com o crescimento da epidemia na África, continente no qual a transmissão do vírus se caracterizava justamente por se fazer através da relação heterossexual e as principais vítimas eram as mulheres.  Na África do Sul, entre 1990 e 1998 a prevalência de HIV em mulheres que freqüentavam as clínicas de pré-natal saltou de menos de 1% para 22%.  Na província de Kiva Zulu Natal a prevalência do vírus em mulheres grávidas alcançou 33%.  Ao todo são 4,7 milhões de pessoas no país infectadas desde o início da epidemia.  No Quênia, 2,5 milhões de quenianos estão infectados, ou um em cada seis pessoas.  Em uma das favelas da capital Nairobi, a Pumwani, 90% das prostitutas são portadoras do vírus.  Estima-se que mais de 70% das pessoas portadoras do vírus da AIDS se encontram na África.  Além disso, 70% dos novos casos também se originam atualmente na África.  Em Botswana, Lesotto, Swaziland e Zimbabwe, a prevalência de HIV ultrapassa 30% da população.  Cinco das seis maiores epidemias estão na África, sendo a da África do Sul a maior e a da Nigéria a terceira maior.  Dos países com as maiores epidemias, somente a Índia está fora da África.

Uma das conseqüências da epidemia atingindo as mulheres em plena idade reprodutiva foi o aumento da mortalidade materna.  Em Malawi aumentou de 620 para 1.120 e em Zimbabwe de 283 para 695 por 100.000 nascidos vivos.  A mortalidade por AIDS em pessoas de idade reprodutiva (de 15 a 50 anos) aumentou nos dois países em dez anos, respectivamente de 75% e 150%.

O impacto da epidemia de AIDS no crescimento da população se faz não somente pelo aumento da mortalidade das pessoas ainda em idade de procriar e dos filhos que deixam de serem concebidos ou de nasceram, se faz também pelas mudanças no comportamento sexual da população não contaminada que passa a evitar a promiscuidade e a exigir o uso do cóndom.  Até nos países onde a Igreja Católica exerce uma influência importante no Ministério da Saúde, como no Brasil, o governo foi impelido a contrariar a Igreja e vem fazendo uma campanha inédita pelos meios de comunicação, promovendo a camisinha.  Assim, contra a vontade, o governo brasileiro vem fazendo uma campanha que ajuda o planejamento familiar, que se fundamenta também na prática do sexo responsável. 

Na sua última avaliação, as Nações Unidas, através do UN World Population Prospects (2002), estima que a população do mundo em 2050 será 400 milhões menor do que seria se não fosse o declínio da fertilidade e a mortalidade pela AIDS, particularmente na África.  Não deixa de ser irônico que a epidemia tenha contribuído para forçar os países que mais relutavam em adotar políticas de planejamento familiar a faze-lo pregando a paternidade e maternidade responsáveis.  Estes países eram justamente aqueles onde as populações cresciam mais rapidamente, se aglomerando em grandes favelas na periferia dos centros urbanos, criando condições ideais para a disseminação do vírus. 

A dolorosa experiência que vivemos com a AIDS demonstra que, caso a ciência venha a encontrar um meio de vencer a AIDS como venceu outras epidemias,  a natureza, frente aos desequilíbrios ecológicos decorrentes da superpopulação e da monocultura que representa a esmagadora presença da espécie humana no planeta, haverá de encontrar outros mecanismos que assegurem a biodiversidade sem a qual a própria sobrevivência da espécie humana estará ameaçada.

 

Elsimar Coutinho

 
 
   
   
   
   
 
Você acha que a menstruação é realmente necessária?
Sim
Não
Não sei