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A próstata é uma pequena glândula que envolve a uretra na extremidade que se insere na bexiga. Sua função é produzir e secretar um líquido contendo substâncias úteis ao bom desempenho dos espermatozóides. A secreção prostática é derramada na uretra simultaneamente com a secreção que vem das vesículas seminais.
Os dois principais problemas da próstata, a hiperplasia e o câncer prostáticos ocorrem, na maioria dos homens, na segunda metade da vida. A hiperplasia consiste no crescimento benigno da glândula e atinge a quase 90% daqueles que ultrapassarem 40 anos de idade. O crescimento é geralmente lento, apresentando sintomas apenas quando a glândula comprime a uretra, dificultando a saída da urina e culminando em alguns casos com a obstrução completa e conseqüente retenção da urina.
Os primeiros sintomas da hiperplasia estão associados a alterações mais ligados a função urinária do que a reprodutiva e se anunciam geralmente com o aumento da freqüência urinária (polaciúria), que aumenta a medida que cresce a próstata. É possível que a hiperplasia da próstata ocorra em função da ação contínua dos androgênios sobre a glândula ao longo dos anos. É ao androgênio DHT (dihidrotestosterona) que, mais poderoso do que a testosterona, é o seu principal metabólito ao qual se atribui a responsabilidade não somente pelas patologias prostáticas quanto a calvície masculina. O DHT resulta da ação do enzima 5-alfa redutase sobre a testosterona e é por isso mesmo que o mais eficiente tratamento clínico da hiperplasia prostática consiste no uso prolongado (5 anos) da finasterida, uma substância sintética que inibe a ação do enzima, impedindo a transformação da testosterona em DHT. A testosterona cujos níveis sanguíneos não se alteram durante o uso da finasterida parece, portanto, inócua.
Outros tratamentos da hiperplasia incluem bloqueadores alfa adrenérgicos, os antiinflamatórios e alguns fitoterápicos, estes últimos largamente usados por iniciativa dos próprios pacientes.
Os tratamentos cirúrgicos da hiperplasia prostática são recomendados quando os tratamentos clínicos não resolvem o problema. Existem dois tipos de cirurgia, aquela cuja abordagem se faz por via abdominal e o mais popular que é feita por via transuretral. Esta última é feita através da endoscopia co, a ajuda de um ressectoscopia e é reservada para próstatas que não ultrapassaram de 80 gramas.
A outra patologia da próstata que mais aflige os homens é o câncer. Como a hiperplasia, o câncer é uma doença da segunda metade da vida. Na faixa dos 50 anos, a incidência está entre 5 e 10%. Na faixa dos 60, sobe de 10 para 25% e na faixa dos 70 atinge cerca de 30%. Na faixa dos 80, alcança 30 a 40%. Estima-se que aos 100 anos todos os homens terão a doença. Apesar da elevada incidência, o câncer da próstata é considerado um câncer pouco agressivo, passando desapercebido em quase metade das suas vítimas.
A sintomatologia do câncer de próstata é semelhante à da hiperplasia, porém menos dramática na fase inicial; por isso o diagnóstico precoce é feito geralmente em exames de rotina quando é constatado um aumento da glândula, detectável pelo toque retal e ultra-sonografia, ou uma elevação do antígeno prostático (PSA) no sangue. Na hiperplasia o PSA chega a atingir níveis de 40 ng/ml e no câncer pode ir acima de 100 ng/ml. Não sendo o PSA um parâmetro definivo o diagnóstico só se completa através da biopsia prostática que permite a distinção final entre a hiperplasia benigna e o tumor maligno.
O tratamento, que poderá ser clínico ou cirúrgico, depende da natureza do tumor, da idade do paciente e outros fatores. Em alguns casos o tratamento pode ser contra-indicado como, por exemplo, quando existem outras patologias que ameaçam a vida do paciente muito mais do que o câncer da próstata. A decisão de tratar, operar ou não fazer nada tem que ser tomada de comum acordo com o paciente depois de analisados os fatores pro e contra.
Os tratamentos mais usados são a cirurgia (prostatectomia radical) e a radioterapia. Tanto em um caso quanto no outro a probabilidade de cura é alta, principalmente quando o diagnóstico é precoce. A sobrevida nesses casos é superior a 80% ao fim de dez anos.
A mortalidade por câncer de próstata no Brasil é de 18 casos por 100.000 homens por ano.
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