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A reposição hormonal na menopausa surgiu há meio século assim que os hormônios sexuais foram obtidos, em alto grau de pureza, a partir da urina de mulheres e homens jovens. Parecia lógico para os endocrinologistas da época que aqueles hormônios responsáveis pela atratibilidade da mulher e a virilidade do homem poderiam devolver aquelas qualidades, perdidas através do envelhecimento, restaurando a saúde sexual aos idosos.
Os médicos começaram a testar a hipótese neles mesmos usando extratos de ovários e testículos obtidos de animais jovens. A obtenção dos hormônios a partir da urina permitiu dosar melhor as quantidades administradas. E à medida que os hormônios eram disponibilizados em forma pura pela indústria farmacêutica os médicos puderam avaliar melhor os efeitos sobre seus pacientes.
Os benefícios eram evidentes nas mulheres menopausadas que sofriam de fogachos, sudorese e depressão que em poucos dias ficavam livres dos sintomas recuperando o bem estar e sobretudo o bom humor. Para os maridos a transformação era uma dádiva da Medicina que devolvia a saúde e a atratibilidade sexual de suas esposas. Para alguns o milagre era a recuperação da sua potência sexual, perdida em virtude do desaparecimento da atratibilidade e do cheiro de fêmea da sua mulher.
A reposição hormonal para as mulheres na menopausa teve um sucesso enorme nos Estados Unidos após a publicação do livro “Feminina para sempre” do ginecologista R. A. Wilson em 1966. Nesse livro Wilson enfatizava os benefícios que a reposição com estrógenos trazia para a mulher particularmente na área sexual. Além disso, descrevia como os estrogênios contribuíam para a conservação do esqueleto, impedindo a osteoporose e preservando a pele, impedindo o aparecimento de rugas.
A reação contra a reposição hormonal surgiu primeiro por parte dos médicos mais conservadores e por parte da Igreja que consideravam uma interferência do homem contra uma lei natural. “Afinal de contas temos que envelhecer e morrer”. Em seguida apareceram os primeiros casos de câncer do endométrio, o forro interno do útero, cuja incidência era maior (8%) nas mulheres que usavam os estrogênios. Naquelas que não usavam a incidência era de 4%. Naquele tempo não havia ainda a ultra-sonografia endovaginal e por isso o diagnóstico do câncer do endométrio era quase sempre tardio. Os médicos que achavam que os benefícios da reposição ultrapassavam os riscos procuraram afastar o obstáculo do risco do câncer do endométrio de dois modos. O primeiro era administrar a progesterona junto com o estrogênio e o segundo retirar o útero. Por causa disso a indicação da histerectomia cresceu rapidamente tornando-se em alguns países a operação ginecológica mais comum.
Neutralizado o risco de câncer de endométrio através de uma dessas duas medidas a reposição hormonal na menopausa voltou a crescer até que recentemente estudos mais longos (10 anos), envolvendo milhares de mulheres em idades de 45 a 75 anos, demonstraram que o uso da progesterona aumentava o risco de câncer de mama em 25%. Isto é, no grupo de mulheres que não faziam a reposição a incidência era de 9% e no grupo que usava a combinação de estrogênio com uma progesterona sintética a incidência era de 11%. Além disso, nas mulheres que sofriam de algumas doenças dos vasos e do coração havia um aumento na incidência de infarto. Os novos achados tiveram enorme divulgação na mídia assustando as mulheres do mundo inteiro que hoje, no mundo moderno, são mais informadas pela televisão e revistas que pelo seu médico.
Aqui entre nós fazemos reposição hormonal individualizada o que elimina os riscos derivados da administração inapropriada de doses elevadas dos hormônios e da aplicação de hormônios não apropriados para aquela paciente. No CEPARH (Centro de Pesquisa Assistência em Reprodução Humana – Salvador-BA) raramente utilizamos a progesterona na reposição hormonal reservando-a para casos especiais e por períodos curtos. Os estrogênios são dosados de acordo com os níveis sanguíneos da candidata, sua idade, seu peso e sua superfície corporal. Associamos ao estrogênio natural (estradiol-17beta) a testosterona 17beta-ol que é igualmente um hormônio natural da mulher. A associação dos dois hormônios é aplicada através de implantes subcutâneos cuja carga dura 1 ano. As doses utilizadas proporcionam níveis baixos dos hormônios porém suficientes para atender as necessidades da mulher sem aumentar o risco de patologias associadas às overdoses proporcionadas por outros tipos de tratamento.
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