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O Câncer de Mama no Brasil: A Influência da Geografia e da Etnia

Entre os muitos fatores que exercem influência sobre a incidência de câncer, os primeiros que merecem consideração são a geografia e a etnia.  A importância dos dois fatores é especialmente notável no câncer de mama cuja incidência varia de menos de 50 por 100.000 mulheres no Japão para 80/100.000 na Colômbia e 220 por 100.000 mulheres nos Estados Unidos.  Na América do Norte a incidência superior a 200/100.000 se aplica apenas às mulheres brancas de etnia anglo-saxônica.  Nas negras é 20% menor e naquelas classificadas como hispânicas a incidência cai para quase a metade.  As índias e as sino-americanas de primeira geração apresentam a incidência mais baixa.

No Brasil, país continental cuja população apresenta uma complexa variedade racial graças à miscigenação, os dois fatores se associam para oferecer um quadro bastante coerente com o que se observa no resto do mundo.  De acordo com dados do Ministério da Saúde os estados onde a incidência de câncer é mais elevada estão no sul do país onde a influência da imigração européia é maior.  Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul saem na frente com 103, 78 e 52 casos para cada 100.000 mulheres.  Os estados do centro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, comparecem no segundo grupo com 44, 42 e 40 casos respectivamente.  Em seguida vem Pernambuco com 34, Goiás com 32, Paraná com 31 e Rio Grande do Norte com 27 por 100.000 mulheres.  O Ceará e o Mato Grosso, que fazem fronteira com a Amazônia, já apresentam uma incidência mais baixa (26 e 24 casos respectivamente).  A Bahia com um a população predominantemente negra ou mulata se apresenta com apenas 20 casos e Sergipe com 18 para 100.000 mulheres.  A Paraíba comparece com 15 e Alagoas com 13.

Os estados que compõem a Amazônia apresentam as incidências menores, todas abaixo de 10 casos por 100.000.  O Piauí e o Amazonas com 9, Roraima com 8, o Maranhão e o Pará com 7 casos cada um.  Rondônia comparece com 6, o Acre e Tocantins com 5 cada um, e, finalmente, o Amapá com 3 casos por 100.000 mulheres

Aparentemente a baixa incidência de câncer de mama na região amazônica se compara a incidência dos países orientais e pode ser atribuída à predominância de sangue indígena na população.  Os índios brasileiros além das feições orientais têm o corpo glabro dos orientais indicativo de baixo teor de androgênios ou/e reduzido nível de receptores tanto para os estrogênios quanto para os androgênios.

Por outro lado, a elevada incidência da patologia no sul e sudeste deve estar associada à herança européia que predomina na região.  A predominância do Rio sobre São Paulo poderia ser explicada em parte pela influência benéfica da forte presença japonesa em São Paulo, praticamente ausente no Rio de Janeiro.  Do mesmo modo a elevada incidência em Pernambuco (34 casos) comparada à da Bahia (20 casos) ou a da Amazônia (média de 6 casos) poderia ser explicada pela herança holandesa que dominou o estado durante mais de uma década.

As grandes diferenças na incidência de câncer de mama observadas entre os países e nas diversas regiões do Brasil assumem enorme importância na avaliação do risco individual sobretudo em pacientes idosas nas quais o risco é maior.  Certamente que numa população como a carioca um aumento de 20% no risco de desenvolver câncer de mama representa um aumento de mais de 20 casos por 100.000 mulheres enquanto que o mesmo aumento de 20% na Amazônia representaria apenas 1 caso por 100.000 mulheres.

Elsimar Coutinho

Fontes:
1. www.inca.gov.br
2. Vogel VG.  Epidemiology of Breast Cancer.  Em “The Breast”, Vo. 1.  K.L. Bland e E.M. Copeland.  III Edição, pg. 341-354.  Saunders, St. Louis, 2004.
3. W.R. Miller.  Estrogen and Breast Cancer.  Springer-Verlag, Heidelberg, 1996.

 

Estado

Taxa de Câncer de Mama na População

Amapá

3,63

Tocantins

5,44

Acre

5,54

Rondônia

6,88

Pará

7,29

Maranhão

7,59

Roraima

8,86

Amazonas

9,58

Piauí

9,76

Alagoas

13,49

Paraíba

15,09

Sergipe

18,33

Bahia

20,09

Mato Grosso

24,26

Ceará

26,16

Rio Grande do Norte

27,22

Santa Catarina

30,56

Paraná

31,13

Goiás

32,95

Pernambuco

34,69

Espírito Santo

40,44

Mato Grosso do Sul

42,93

Minas Gerais

44,01

Rio Grande do Sul

52,20

São Paulo

78,69

Rio de Janeiro

103,89

 
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