Em relação à miomatose o fator que representa o seu aparecimento e desenvolvimento é sem dúvida a ação do estrogênio sobre o miométrio em níveis elevados.  Estudos recentes demonstram que quanto maior o número de ciclos menstruais, maior a incidência dos miomas.  Como contraprova da ação decisiva dos estrogênios, estão os estudos, que mostram a regressão dos miomas na menopausa e em pacientes cujo ciclo menstrual é suspenso, através do uso de anti-estrogênios ou supressores não estrogênicos da ovulação.

Nas mulheres cujo ciclo menstrual é suspenso através do uso contínuo de anticoncepcionais orais, implantes ou injetáveis, como também naquelas cujo ciclo é suspenso naturalmente através de gravidezes sucessivas, a diminuição da fertilidade ocorre mais por força do envelhecimento do que pela ausência da menstruação.  Na realidade quanto mais tempo sem menstruar, menor o risco de tornar-se infértil.  O risco de desenvolver doenças infertilizantes como a endometriose, a doença inflamatória pélvica e a obstrução tubária será tanto maior quanto maior for o número de menstruações.

Não seria demais acrescentar que a subfertilidade existente nas portadoras dos ovários policísticos só pode ser corrigida por períodos longos através da inibição do ciclo menstrual pelos anticoncepcionais, associados ou não aos anti-androgênios.  Tratamentos prolongados com inibidores da função ovariana não somente criam condições para a concepção quanto tornam a portadora de ovários policísticos mais feminina, mais atraente, com a sua auto-estima em alta e mais predisposta a engravidar. 

Para concluir podemos afirmar parafraseando o poeta português, Fernando Pessoa que “para engravidar menstruar não é preciso, ovular é preciso”.

Elsimar Coutinho
Presidente, Centro de Pesquisas e Assistência em Reprodução Humana ( CEPARH)
Diretor Tesoureiro, Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina (SOBRAGE)